domingo, 21 de julho de 2013

Como se nada tivesse acontecido


Às vezes é melhor agir assim mesmo.

Como se o mundo não tivesse dado voltas de parque de diversão, injetando adrenalina e provocando os mais diversos gritos, do êxtase ao pavor, seguidos da tontura e do mal-estar ou da simples vontade de girar de novo.

Como se os dias não tivessem mudado de cor e as coisas de sabor, e as cores não correspondessem mais aos sabores que você estava acostumado.

Como se a chuva não tivesse caído e as gotas não tivessem sequer chegado na terra que tinham que regar ou nas almas que tinham que lavar ou nas nossas cabeças, de uma forma que mais pareceriam agulhas.

Como se o tempo fosse um botãozinho que se liga ou desliga, ou permanece em stand-by, com uma luz que sinaliza que ele está ali, se alimentando, mas que só vai desempenhar a sua função quando você decidir, gastando o mínimo de energia possível enquanto essa decisão não chega.

Às vezes não compensa discorrer sobre o mundo, os dias, a chuva e o tempo, porque é tudo muito particular, mesmo que aconteça pra todos, ou melhor, que não aconteça pra todos. Não da maneira que aconteceu ou não aconteceu pra você.

É por isso que quando se reencontra aquela pessoa que desapareceu e que você desapareceu dela, ou quando se retoma aquele projeto que você deixou jogado na gaveta no início do ano, ou quando você se pega pensando em coisas que não pensava e fazendo as coisas que já não fazia mais, sabe-se lá por que motivos, às vezes é melhor agir como se nada tivesse acontecido. Porque às vezes não aconteceu nada mesmo. Foi só a vida. 

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